Empresas estão em busca dos talentos autistas

Mercado de TI valoriza neurodiversidade

Mercado de TI valoriza neurodiversidade

Nos últimos anos, o mercado de trabalho tem passado por transformações importantes em relação à diversidade e inclusão. Mais do que uma pauta social, a contratação de profissionais autistas vem se configurando como uma estratégia competitiva de negócios. Cada vez mais, empresas de tecnologia da informação (TI) reconhecem que talentos neurodivergentes — especialmente pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) — trazem habilidades únicas e impacto positivo nos resultados organizacionais.

Em 2025, iniciativas pioneiras no Brasil, inspiradas em experiências internacionais, têm impulsionado essa tendência. Uma delas é o projeto promovido pelo Porto Digital, principal parque tecnológico do Nordeste, em parceria com a organização Specialisterne Brasil, que nasceu na Dinamarca com foco em inclusão profissional de pessoas com autismo em 25 países.

O papel da neurodiversidade no mercado de TI

No Porto Digital, em Recife (PE), mais de 50 candidatos já se inscreveram para a primeira formação voltada a autistas, com foco em competências administrativas e de tecnologia da informação. Embora o número de vagas iniciais seja pequeno, o engajamento demonstra grande demanda e interesse, tanto de candidatos quanto de empresas que buscam expandir sua base de talentos neurodivergentes.

Organizações como a consultoria Pitang já sinalizam interesse real em contratar profissionais autistas — a Pitang, por exemplo, pretende ampliar sua equipe com esses talentos, evidenciando que inclusão deixou de ser apenas um diferencial social e virou vantagem competitiva no setor de tecnologia.

Benefícios da inclusão para empresas

Líderes envolvidos no projeto destacam que profissionais com TEA trazem fortes habilidades analíticas, foco profundo e atenção aos detalhes, atributos valiosos em tarefas como análise de dados e desenvolvimento de software. Segundo executivos envolvidos, equipes neurodiversas podem apresentar até 30% mais produtividade, além de promover um ambiente colaborativo e inovador.

Além dos ganhos técnicos, há benefícios culturais importantes. A presença de pessoas com diferentes formas de pensar contribui para uma maior empatia e tolerância dentro das equipes, fortalecendo a cultura organizacional e ampliando a resiliência das empresas diante de desafios.

A formação profissional como porta de entrada

A iniciativa no Porto Digital inclui um programa de seis semanas, em formato híbrido, que capacita autistas adultos para atuarem em funções relacionadas à TI. A formação — que combina módulos técnicos com habilidades socioemocionais — já começa a produzir resultados, com profissionais diplomados tendo acesso a um banco de talentos qualificados que empresas parceiras podem acessar.

Esse modelo segue a abordagem internacional da Specialisterne, destacando que colaborações entre setor privado, instituições especializadas e parques tecnológicos podem criar uma ponte eficiente entre pessoas autistas e o mercado de trabalho.

Desafios e oportunidades na contratação de talentos autistas

Embora o avanço seja significativo, ainda existem desafios a serem superados. A adaptação de processos seletivos e ambientes corporativos — como a criação de espaços silenciosos ou sistemas de suporte contínuo — é essencial para que a inclusão seja efetiva e sustentável.

Além disso, muitos gestores ainda carecem de capacitação sobre neurodiversidade e sobre como aproveitar plenamente o potencial desses profissionais. Segundo especialistas, essa lacuna muitas vezes se traduz em dificuldades percebidas que não são inerentes às pessoas autistas, mas sim à falta de preparo das empresas.

No entanto, a experiência internacional e os primeiros resultados no Brasil sugerem um caminho promissor: quando bem apoiados, autistas tendem a ter altas taxas de retenção no emprego — entre 90% e 95% em algumas parcerias — reforçando que políticas de inclusão bem estruturadas geram benefícios duradouros para empregadores e empregados.

A inclusão como diferencial estratégico

Executivos e líderes de iniciativas como essa ressaltam que a inclusão de talentos autistas não deve ser vista apenas como uma ação social, mas como uma estratégia empresarial com impacto direto no desempenho. A tecnologia, com sua demanda por soluções criativas e precisão técnica, tem se mostrado um campo fértil para essa integração.

Programas como o desenvolvido no Porto Digital reforçam que a busca por diversidade cognitiva amplia o potencial competitivo das empresas e oferece novas oportunidades profissionais para pessoas historicamente sub-representadas no mercado de trabalho.

Fonte:

Movimento Econômico. “Da Dinamarca ao Porto Digital, mercado de TI se abre para profissionais autistas” — Recife, 03/02/2025

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