O diagnóstico de autismo de um filho divide a vida dos pais em “antes” e “depois”. Entre o choque inicial, a culpa e o medo do preconceito, existe um caminho possível — e este artigo foi escrito para ajudá-los a encontrá-lo.
Nenhum pai ou mãe está preparado para ouvir que o filho tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mesmo quando os sinais já estavam presentes, a palavra dita pelo especialista cai com um peso inesperado. Ela mobiliza identidades, reorganiza projetos e desperta medos profundos sobre o futuro da criança — e de toda a família.
A psicanálise descreve bem esse processo: os pais vivenciam um luto simbólico. Não a perda da criança real, mas do filho imaginado — aquele ser idealizado que habitava os sonhos de cada um muito antes do nascimento. Reconhecer esse luto é o primeiro passo para atravessá-lo.
Os sentimentos mais comuns nessa fase incluem choque e negação (“não pode ser com o meu filho”), culpa intensa (“fiz algo errado na gravidez?”), medo do futuro e raiva. Todos são reações normais — e o autismo não é causado por falha dos pais.
Além do sofrimento interno, os pais enfrentam o preconceito em relação ao autismo — na escola, na família extensa, em espaços públicos. A criança que faz uma birra intensa é julgada como “mal educada” por quem não conhece o TEA. O avô que diz “é frescura” ainda existe em muitas famílias.
Esconder o diagnóstico pode parecer proteção a curto prazo, mas priva a criança do suporte que ela precisa e aprisiona os pais no silêncio. A saída está na informação: pais que compreendem profundamente o TEA ficam mais seguros para responder ao preconceito com clareza e para escolher como, quando e a quem revelar o diagnóstico.
1. Permita-se sentir. A dor faz parte do processo. Reprimi-la apenas a empurra para emergir com mais força depois.
2. Busque acompanhamento psicológico. Um espaço terapêutico ajuda a elaborar o impacto do diagnóstico e a fortalecer a parentalidade — quanto antes, melhor.
3. Informe-se com fontes confiáveis. Conhecimento real sobre o TEA reduz o medo e combate mitos que ainda circulam amplamente.
4. Conecte-se a outros pais. Grupos de apoio a famílias de crianças autistas oferecem acolhimento, perspectiva e esperança concreta.
5. Olhe para a criança, não para o rótulo. O diagnóstico explica comportamentos — não define quem o seu filho é.
O que os pais sentem ao receber o diagnóstico de autismo? Os pais costumam passar por choque, negação, culpa, raiva e tristeza — sentimentos que compõem um luto simbólico. São reações normais que tendem a se reorganizar com apoio adequado.
Como lidar com o preconceito após o diagnóstico? Informar-se profundamente sobre o TEA, conectar-se a grupos de pais e ter acompanhamento psicológico são as principais estratégias para enfrentar o preconceito com segurança.
Quando buscar ajuda psicológica após o diagnóstico? Idealmente logo após o diagnóstico. Quanto antes os pais tiverem suporte emocional, mais preparados estarão para acompanhar o desenvolvimento do filho.
Está passando pelo impacto do diagnóstico de autismo do seu filho? Entre em contato pelo WhatsApp (21) 99676-1772 ou em soniancs1@gmail.com.
Sonia Caldas Serra | CRP 05/16384 Psicanalista, Membro Efetivo do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro, especialista em autismo e autora de dois livros sobre TEA. Atendimento online para todo o Brasil e exterior. soniacaldasserra.com.br